10 de julho de 2020
Notícias

Psicólogos ajudam a manter saúde mental de pacientes e profissionais de saúde durante pandemia

Pensando nessa situação, a Fundação Municipal de Saúde criou um fluxo de acolhimento baseado na humanização.

Além dos riscos de comprometimento do seu estado de saúde, um paciente internado com Covid-19 tem que conviver também com a solidão. Isso porque, para evitar a transmissão da doença, a orientação é que fique isolado, sem ver pessoas queridas. A pandemia também gera insegurança e medo entre os profissionais que atuam na linha de frente todos os dias. Lidar com essas questões e promover a saúde mental de todos os envolvidos é o papel do psicólogo, que está presente nas unidades hospitalares voltadas para a doença em Teresina.

O psicólogo Eduardo Moita atua no Hospital de Campanha Padre Pedro Balzi e conta que a principal preocupação tem sido lidar com a ansiedade e o medo das pessoas infectadas pelo novo coronavírus. “O que temos observado no mundo inteiro é que as questões emocionais têm um grande impacto na recuperação dos pacientes. Porque eles visualizam a doença como uma possível morte e isso traz ansiedade, o que potencializa o sentimento de tristeza, melancolia e até depressão, maximizando o processo de adoecimento físico e psíquico do paciente”, diz.

Pensando nessa situação, a Fundação Municipal de Saúde criou um fluxo de acolhimento baseado na humanização. Eduardo Moita e os demais psicólogos do Hospital de Campanha passaram então a promover conversas constantes com todo o corpo de funcionários que lidam diretamente com os pacientes. “A gente vem elaborando normas técnicas, que incluem, por exemplo: orientar enfermeiros e maqueiros na abordagem de pacientes que acabaram de chegar. Aconselhamos os profissionais a se aproximarem, se abaixar até a altura dos olhos, se apresentarem e dizerem que estão ali para dar todo o apoio necessário, e isso tem dado bons resultados”. Temas como a melhor abordagem durante os procedimentos, na alta e até mesmo como lidar com os óbitos são tratados frequentemente com os profissionais.

Uma outra iniciativa adotada é manter o elo com as famílias por meio do acesso virtual por telefone. “Promovemos videoconferências por skype ou whatsapp, mas como percebemos que algumas famílias não têm acesso a essas tecnologias, fazemos também ligações telefônicas”, conta Moita, que procura também dialogar com a famílias individualmente e orienta sobre a melhor forma de fortalecer a relação com o paciente. “Mantemos então uma tríade de psicólogo, paciente e família, unidos para buscar a força necessária, usando as ferramentas que aquele paciente e a família possuem, para fazer com que a recuperação aconteça”, afirma ele.

Uma das muitas histórias que passou pelo acompanhamento dos psicólogos do Hospital de Campanha Pedro Balzi foi a da aposentada Maria Alice de Carvalho, que teve alta na última quarta-feira (24). A idosa do bairro Santa Maria da Codipi chora ao lembrar dos dias em que esteve doente e se diz muito grata ao apoio emocional que recebeu. “Essa doença não é brincadeira. Eu passei sufoco aqui e eu tenho muito a agradecer a esses anjos que ficaram na minha vida por estes dias”, conta ela.

O trabalho se estende também ao apoio à equipe de profissionais de saúde. “São pessoas que também sentem e sofrem, e dentro de um hospital de campanha que trata de uma doença tão grave, com risco de contaminação, devemos zelar pela saúde mental da equipe. Afinal, eles precisam estar bem emocionalmente para salvar outras pessoas, e nós estamos lá para trabalhar estas questões”, finaliza o psicólogo.

Fonte: PMT

0 Comentários

Dê sua opinião: